segunda-feira, maio 16, 2016

A Praça que pode ser várias coisas

Na Revista Sábado no dia 21 de Abril saiu sobre Berlim. Na mesma página as músicas que Fernando Ribeiro se recorda quando evoca esta cidade. Podem ver aqui a dupla página.

A PRAÇA QUE PODE SER VÁRIAS COISAS
Saímos de uma rua estreita e, ao longe, do outro lado da rua, não se percebia muito bem o que estávamos a ver. Vamos lá ver o que é?! Aproximámo-nos, chegamos, começamos a andar por entre aqueles paralelepípedos de pedra. Uns baixos como campas, outros, um pouco mais altos como bancos, onde havia grupos de pessoas, umas sentadas outras em pé, a conversar, a namorar, ou até a fazer um pic-nic. Andámos mais um bocado e havia outros ainda mais altos, mais altos que nós. E eram como ruas. Uma nova cidade. Labiríntica, claustrofóbica, até opressora, onde tínhamos a sensação de nos perder ou de nos acontecer alguma coisa. Virámos uma esquina e eram outra vez como campas. Um enorme cemitério a perder de vista.

Caderno Flecha, comprado na Papelaria Fernandes. 11,5x17 cm
Aguarela e caneta preta

5 comentários:

teresa ruivo disse...

Ui, que estranho ! O teu desenho tem um belo lado onírico que ilustra bem o texto - ou será antes o contrário ?:)

Eduardo Salavisa disse...

O local ajuda. Para quem nunca tinha ouvido falar daquele memorial (ao povo judeu), que era o meu caso, é uma experiência inesperada.

nelson paciencia disse...

Nunca fui a Berlim mas conheço este lugar por fotografias, etenho uma grande curiosidade em visitar. O teu desenho carrega uma aura especial com ele, e está simplesmente formidável.

andré raposo disse...

o que mais me impressionou quando lá estive foi o silêncio que fazia à medida que nos "afundávamos" por entre aquele dédalo de betão.

de repente, a cidade deixava de existir e entrávamos num submundo de reflexão.

belíssima aguarela

Eduardo Salavisa disse...

Obrigado nelson.
André: foi isso que também senti. E tentei transmitir com o texto.